ARQUITETURA

Assinado pelo escritório Brasil Arquitetura, o Museu do Tijolo é um projeto realista em termos de custos e soluções construtivas, sem abrir mão da riqueza espacial e poética que um museu como este deve ter.

O museu possui uma área construída de 530m², sendo 330m² no piso superior e 200m² no piso inferior. Sua implantação tira partido da topografia do terreno uma vez que existe um desnível de 3m entre a parte mais alta junto à rua e a parte dos fundos, sugerindo quase naturalmente a adoção de pé direito simples no bloco frontal e duplo na parte posterior.

Este mesmo desnível, acentuado na região da rocha natural de basalto, está evidenciado no projeto como um grande corte – uma falha – que atravessa o terreno de lado a lado passando pelo interior do edifício. A intenção projetual foi pousar o edifício no terreno como ele é, sem grandes movimentos de terra.

O tijolo da cerâmica Fachinetto será empregado como o material básico de estrutura e vedos de todo o projeto – paredes e colunas estruturais e paredes de vedação. Mesmo se pintado o tijolo, portanto, será a marca de personalidade do museu. O concreto deverá ser utilizado somente nas fundações, vigas e lajes.

As colunas deverão ser feitas uma a uma em formas anômalas orgânicas de tijolos mesclados (inteiros e quebrados). Serão como grandes esculturas que sustentarão a laje de cobertura.

Uma sequência de usos acompanha o desenvolvimento deste muro, acentuando sua presença com elemento estruturador do projeto. Começando pela recepção e acolhimento – onde o velho caminhão dá as boas vindas aos visitantes – será montada exposição permanente – ou de longa duração, que contará a história da Cerâmica e da Familia Fachinetto; seguindo o muro, existirá uma linha do tempo com objetos e painéis que mostrarão a cerâmica na história da humanidade, acentuando o uso do tijolo e da telha; pode-se ai ter dois caminhos a seguir, o mezanino que vai desvendando todo o andar de baixo e leva o visitante até as exposições temporárias e a varanda que avista a casa antiga da família com a vegetação exuberante, ou toma-se a escada que leva ao auditório e ao piso inferior.

No piso inferior o museu continua com espaços e atividades mais participativas e interativas, como biblioteca, pesquisa, ateliê de cerâmica para cursos, café e atividades didáticas e recreativas. Deste piso inferior poderão sair grupos para a visita guiada à Cerâmica Fachinetto.

Junto à escada, aproveitando o desnível do terreno, será implantado um pequeno auditório multiuso para 48 pessoas.

Em todo edifício será empregado um piso de cimento desempenado de alta resistência, com baixa manutenção e grande eficiência em ambiente de grande fluxo de pessoas. Na cobertura existirá uma laje jardim como solução também de isolamento térmico de fácil manutenção.

ficha técnica

Ano: 2015

Área: 577m²

Equipe: Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz, Andre Villas Boas, Anne Dieterich, Anselmo Turazzi, Cícero Ferraz Cruz, Gabriel Carvalho, Gabriel Mendonça, Giulia Lucente, Guilherme Tanaka, Gustavo Otsuka, Harold Ramirez, Juliana Topazi, Julio Tarragó, Laura Ferraz, Luciana Dornellas, Pedro Renault, Roberto Brotero, Victor Gurgel e William Campos

Imagens: Marcelo Ferraz, Ana Carolina Pellegrini e Acervo Brasil Arquitetura